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Pensamento do mês: "Se choras por ter perdido o Sol,as lágrimas, não te deixarão ver as estrelas" (Tagore).

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Um novo ano lectivo começa, aparentemente um ano negro para o sistema educativo. A avaliação dos professores, um simulacro de avaliação, começa a ser implementada, a par com a imposição dum regime de gestão escolar contrário à democracia e à intervenção de todos os agentes educativos na vida escola.
Para além disso o desemprego docente aumenta, bem como a precarização da vida de milhares de professores que são empurrados para as franjas dum sistema que tritura  vidas, sem olhar à dignidade Manifestação de professores
da pessoa humana. Há milhares de professores deslocados, sem quaisquer apoios, obrigados a aceitar horários incompletos, com um salário, por essa razão, insuficiente para lhes garantir uma vida minimamente estável e condigna. Muitos são atraídos para a leccionação de aulas de Inglês (bem como de outras disciplinas de complemento curricular) no primeiro ciclo do ensino básico, onde dão dinheiro a ganhar a empresas privadas de trabalho temporário, sendo assim vítimas dum esquema tenebroso, completamente inaceitável num estado democrático.
São muitos os desafios que se colocam aos professores. O maior deles será, como sempre,  o de cumprirem o seu papel junto dos alunos: o de deixarem que o futuro desponte. Mas neste ano lectivo será muito mais difícil atingir este objectivo supremo, já que a atenção dos professores terá que estar virada para o que nada tem que ver com  a verdadeira  vida da escola. A burocracia, as lutas pelos pequenos poderes fácticos, o medo e a desconfiança.
E o medo à solta na escola é a maior catástrofe que se pode imaginar na vida colectiva dum país. E há medo na escola. E não é o medo do desconhecido, mas o medo de poder não haver justiça na avaliação. Também na avaliação dos alunos, uma vez que este sistema de avaliação dos professores faz o impensável, ao interligar, de forma incontornável, a avaliação dos professores e a avaliação dos alunos, promovendo a ideia de que um professor que dá negativas é um mau professor, incentivando-se assim uma prática perversa: mesmo que os professores não acedam à chantagem, sabem que isso terá consequências.
E nesse caso, como sempre que há uma aplicação cega de critérios rígidos à vida das pessoas, os afectados ficarão sem hipótese de defesa, completamente vulneráveis e impotentes perante os automatismos que esta legislação impõe. A escola é, então, encarada como um sistema de produção e os professores (só para falar neles, uma vez que situação dos funcionários é muito pior) são apenas peças duma engrenagem inumana.
Resta esperar que aqueles que cumprem a sua missão, a sua verdadeira missão, não venham a sofrer consequências negativas, paradoxalmente, em virtude da sua entrega ao serviço da educação dos cidadãos do futuro, daqueles que têm o direito a viverem numa democracia séria, justa e plenificante.

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Última actualização: 31/08/2008 

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