Objectivos: 

  • Compreender a atitude filosófica como uma busca de perfeição (individual e colectiva) e de autonomia.

  • Interpretar a actividade filosófica como um esforço de libertação (de saída de uma existência inautêntica).

  • Reconhecer a dimensão ética da actividade filosófica.

  • Problematizar a existência humana com base na alegoria da caverna.

Filosofia     Ficha A6

Aulas 10º Ano

Sumário:  A missão do Filósofo: os homens precisam de ser libertados?

                          A dimensão ética da actividade filosófica.

Texto I

 

“Meu caro amigo:

Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas.

Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.”

                                               ( Agostinho da Silva, Sete cartas a um jovem filósofo Lisboa: Ed.Ulmeiro).

 

Texto II

 

CARTA XII

Queridos Amigos:

Parece que toda a gente está de acordo em que o mundo inteiro se encontra em crise.

Como isto me parece demasiado vasto para eu poder ser útil, decidi que sou eu quem está em crise e talvez consiga sair dela com três princípios: O de me ver livre do supérfluo, o de não confundir o verbo amar com o verbo ter, o de prestar voto de obediência ao que for servir, não mandar.<...>”

Setembro de Lua Cheia e de 93. Agostinho.

 

 

Texto III

Compreensão Sábia e Activa

A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado pelos sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; banirá do seu campo a histeria e a retórica<...>.

Hei-de vê-lo depois de despido de egoísmo, atente somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem os seus irmãos de percorrer o amplo caminho em que marcha. Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo das aparências; se tiver algum poder somente o veja como um indício de que estão ainda muito baixos os homens que lho dão; que o sentir-se superior o incite a um mais nobre e empenhado esforço para que se esbatam e percam as diferenças; não aproveite a fraqueza dos outros para mostrar a sua força; o bom lutador deseja que o combatam os mais rijos lutadores.

Será grato aos contrários, mesmo aos que vêm armados da calúnia e da injúria; compassivo da inferioridade que demonstram fará tudo que puder para que melhorem e se elevem; responderá à mentira com a verdade e ao ódio com o bem; tenazmente se recusará a entrar nos caminhos tortuosos; se o conseguirem abater, tocará com humildade a terra a que o lançaram, descobrirá sempre que do seu lado esteve o erro e de novo terá forças para a luta; e se o aplaudirem pense logo que houve um erro também. (Texto adaptado).

Agostinho da Silva, in 'Considerações e Outros Textos'.

 

 


 

Actividades:

  1. Interprete o texto III com base na alegoria da caverna, procurando responder à seguinte questão: os homens precisam de ser libertados? De quê?

  2. Os textos II e III apresentam um conjunto de regras éticas a que o filósofo deve obedecer. Essas regras são adequadas à nossa época e à nossa sociedade? Justifique a sua resposta. A sua justificação deve indicar quais dessas regras que poderia incorporar na sua vida e quais rejeitaria, fundamentando a sua escolha.

  3. Até que ponto é importante que sejamos autónomos? Fundamente a sua resposta com base numa reflexão sobre as teses apresentadas no texto I.

 

Exercício de aprofundamento:


 

Sente-se num local sossegado e onde possa estar uns minutos sem ser interrompido.

Relaxe, feche os olhos e concentre-se na respiração, sem se esforçar por controlá-la, deixe apenas que o ritmo natural da respiração se mantenha. Procure não pensar em nada a não ser na respiração. Se algum pensamento lhe vier à mente, deixe-o em paz como se fosse uma nuvem no céu.

Quando se sentir pacificado/a interiormente, mantendo os olhos fechados, imagine a vastidão do Universo. Imagine-se fora do planeta terra, num local onde possa observar o sistema solar. Veja o Sol a emitir uma luz poderosíssima, deixe que essa luz entre no seu corpo e sinta o seu calor. Depois observe o movimento dos planetas em redor do Sol, repare como esse movimento se parece com uma dança. E envolva-se nessa dança, sinta o ritmo dessa dança cósmica e sinta-se parte dela.

Mantenha-se nesse estado o tempo que lhe apetecer. Depois regresse à Terra, sinta-se mergulhar na atmosfera e abra os olhos.

Depois de um breve momento de pausa, responda a esta questão: - O que é que o Universo espera de mim?

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