Objectivos: 

  • Problematizar a liberdade.

  • Reconhecer a especificidade dos actos intencionais.

  • Explicar a relação entre razão, liberdade e acção.

  • Refutar o determinismo.

Filosofia     Ficha A9

Aulas 10º Ano

Sumário:  A especificidade dos actos intencionais.

                          A vivência da liberdade.

A vivência da liberdade

O problema do determinismo

“O que é que na nossa experiência nos impossibilita abandonar a crença na liberdade da vontade? Se a liberdade é uma ilusão, por que é que é uma ilusão que, aparentemente, somos incapazes de abandonar? A primeira coisa a observar a propósito da concepção da liberdade humana é que ela está essencialmente ligada à consciência. Apenas atribuímos liberdade aos seres conscientes. Se, por exemplo, alguém construir um robô que cremos ser totalmente inconsciente, nunca sentiríamos qualquer inclinação a dizer que ele é livre. Mesmo se achássemos o seu comportamento aleatório e impredizível, não diríamos que actua livremente no sentido em que nos pensamos a nós mesmos como agindo livremente. Se, por outro lado, alguém construir um robô acerca do qual nos convencemos de que tem consciência, tal como nós temos então, seria, pelo menos, uma questão aberta de se ou não este robô tinha liberdade da vontade.

O segundo ponto a observar é que não é qualquer estado da consciência que nos fornece a convicção da liberdade humana. Se a vida consistisse inteiramente na recepção de percepções passivas, então, parece-me que nunca conseguiríamos formar a ideia da liberdade humana. Se nos imaginássemos a nós mesmos totalmente imóveis, totalmente incapazes de nos movermos e incapazes até de determinarmos o curso dos próprios pensamentos, mas, apesar de tudo, recebendo estímulos, por exemplo, suaves sensações dolorosas periódicas, não haveria a menor inclinação para concluirmos que temos liberdade da vontade.

Disse antes que a maior parte dos filósofos pensam que a convicção da liberdade humana está essencialmente ligada ao processo da decisão racional. Mas penso que isso é só parcialmente verdadeiro. De facto, ponderar razões é apenas um caso muito especial da experiência que nos fornece a convicção da liberdade. A experiência característica que nos dá a convicção da liberdade humana, e é uma experiência da qual somos incapazes de arrancar a convicção da liberdade, é a experiência de nos empenharmos em acções humanas voluntárias e intencionais. <...> É esta experiência a pedra basilar da nossa crença na liberdade da vontade. Porquê?

Reflictamos com todo o cuidado no carácter das experiências que temos, quando nos empenhamos nas acções humanas normais da vida de cada dia. Veremos a possibilidade de cursos alternativos de acção incrustados nessas experiências. Levantemos o braço ou, atravessemos a rua, ou bebamos um copo de água e veremos que em qualquer ponto da experiência teremos um sentido de cursos alternativos de acção para nós disponíveis.

Se alguém tentar expressar em palavras a diferença entre a experiência de percepcionar e a experiência de agir é que, na percepção, se tem esta sensação: «Isto está a acontecer-me», e, na acção, a sensação é a seguinte: «Faço isto acontecer.» Mas a sensação de que «faço isto acontecer» traz consigo a sensação de que «poderia fazer alguma coisa mais». No comportamento normal, cada coisa que fazemos suscita a convicção válida ou inválida de que poderíamos fazer alguma coisa mais, aqui e agora, isto é, permanecendo idênticas todas as outras condições. Eis, permito-me afirmar, a fonte da nossa inabalável convicção na nossa vontade livre. É talvez importante salientar que estou a discutir a acção humana normal. Se alguém está a braços com uma grande paixão, se alguém se encontra numa cólera imensa, por exemplo, perde esse sentido da liberdade e pode mesmo surpreender-se ao descobrir o que está a fazer.

Desde que atentemos nesta característica da experiência do agir, muitos dos fenómenos intrigantes que antes mencionei facilmente se explicam. Por que é que, por exemplo, o homem no caso da sugestão pós-hipnótica não está a agir livremente no sentido em que nós somos livres, mesmo que ele possa pensar que está a agir livremente? A razão é que, num sentido importante, ele não sabe o que está a fazer. A sua efectiva intenção na acção é totalmente inconsciente. As opções que ele vê disponíveis para si são irrelevantes para a motivação efectiva da sua acção. “

John SEARLE, Mente, cérebro e ciência.

 

 


 

Actividades:

1. Podemos afirmar que somos livres? Justifique a sua resposta com base numa interpretação do texto.

2. Comente a seguinte afirmação do texto: “A experiência característica que nos dá a convicção da liberdade humana, e é uma experiência da qual somos incapazes de arrancar a convicção da liberdade, é a experiência de nos empenharmos em acções humanas voluntárias e intencionais.”

3. Responda à questão sublinhada no texto, a partir da distinção entre actos voluntários e actos involuntários.

__________________________________________________________

Exercício de aprofundamento:

 

Sente-se numa cadeira , feche os olhos e imagine que o seu corpo começa, lentamente a ficar colado à cadeira, até que deixa de conseguir movê-lo. Imagine, depois, que cada movimento que tenta fazer o amarra ainda mais à cadeira. Nessa situação, procure pensar em como se sentiria se essa sua experiência fosse, daí para diante, permanente.

Depois, comece a levanta-se lentamente e sinta os músculos a começar a obedecer às suas ordens, levante-se e estique os braços (espreguiçando-se) e sinta a alegria da liberdade readquirida. No fim do exercício, responda à questão: O que posso fazer de importante com a minha liberdade?

 

SECÇÕES

Fichas 10º ano

Fichas 11º ano

Testes

Aulas Virtuais

Biblioteca

Filmes

Aulas - 10º Ano

Aulas - 11º Ano

Histórias e Mitos

Apresentações

Exercícios interactivos

 

Apresentações:

 

Ver em ecrã inteiro

 

Ver em ecrã inteiro

 

 

Ver em ecrã inteiro

© www.espanto.info

 Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.