Objectivos: 

  • Definir o conceito de ordem (racional).

  • Reconhecer que a racionalidade pressupõe a ideia de ordem.

  • Compreender que na base do conhecimento racional está a actividade de ordenar/classificar.

  • Compreender a relação entre o conceito de verdade e o conceito de ordem (racional).

Filosofia     Ficha A3

Aulas    11º Ano

Sumário:

A ideia de ordem e os fundamentos da racionalidade.

Introdução à Lógica.

T.P.C.: Fazer o exercício de aprofundamento. (Facultativo).

A ideia de ordem e os fundamentos da racionalidade


 

Tomei conhecimento de certa enciclopédia chinesa que se intitula Empório Celestial de Conhecimentos Benévolos, nas suas remotíssimas páginas está escrito que os animais se dividem em:

(a) pertencentes ao imperador,

(b) embalsamados,

(c) amestrados,

(d) leitões,

(e) sereias,

(f) fabulosos,

(g) cães va­dios,

(h) incluídos nesta classificação,

(i) que se agitam como loucos,

(j) incontáveis,

(k) desenhados com um pincel finíssimo de pêlo de camelo,

(l), etc...,

(m) que acabam de quebrar o jarrão,

   (n) que ao longe parecem moscas.

O Instituto Bibliográfico de Bruxelas exerce igualmente o caos: emparcelou o universo em 1000 subdivisões, das quais a número 262 corresponde ao Papa, a 282, à Igreja Católica Romana; a 263, ao Dia do Senhor; a 268, às escolas dominicais; a 298, ao mormonismo, e a 294 ao bramanismo, budismo, xintoísmo e taoísmo. Também não rejeita as sub­divisões heterogéneas como, por exemplo, a 179: «Crueldade com os animais. Protecção do animais. O duelo e o suicídio do ponto de vista da moral. Vícios e defeitos vários. Virtudes e qualidades várias.»

Registei as arbitrariedades do desconhecido enciclopedista chinês e do Instituto Bibliográfico de Bruxelas; notoriamente não há classificação do universo que não seja arbitrária e conjectural. A razão é muito simples: não sabemos o que é o universo. «O mundo», escreve David Hume, «é talvez o esboço rudimentar de algum deus infantil, que o abandonou a meio, envergonhado com a sua execução deficiente; é obra de um deus subalterno, de quem os deuses superiores troçam; é a confusa produção de um divindade decrépita e aposentada, que já morreu» (Dialogues Concerning Natural Religion, V, 1779). Podemos ir mesmo mais longe; podemos suspeitar que não há universo no sentido orgânico e unificador que tem essa ambiciosa palavra. Se o houver, é preciso conjecturar o seu propósito; é preciso conjecturar as palavras, as definições, as etimologias e as sinonímias do secreto dicionário de Deus.

A impossibilidade de penetrar no esquema divino do universo, no entanto, não pode dissuadir-nos de planear esquemas humanos de ordenação, embora nos conste que estes são provisórios.”

Jorge Luís Borges, Obras Completas –II, Ed. Teorema, p.83.


 

Actividades:

      1 – Analise criticamente a classificação dos animais proposta pela enciclopédia chinesa referida no texto: essa classificação faz sentido? Justifique a sua resposta.

     2 – Comente o último parágrafo do texto. (Num mínimo de 120 palavras).



 

Exercício de aprofundamento:

  • Pare por uns minutos a sua rotina diária e sente-se num local sossegado e relaxe por uns momentos. Procure visualizar o seu lugar no Universo, começando pelo Universo como um todo quase infinito, passando pela Via-láctea (a galáxia a que pertence o sistema solar, com biliões de estrelas e de planetas), concentrando-se, depois, no planeta terra, visto do espaço. Depois pode mergulhar em direcção à Península Ibérica, terminando no lugar onde se encontra que, apesar de ser familiar e “banal” faz parte do Universo imenso. Então, sinta-se como fazendo parte integrante do Universo.

  • Depois, desenvolva a seguinte questão: O universo (e a minha vida) obedece a uma ordem?

 

SECÇÕES

Carlos Lineu

Lineu, botânico sueco do século XVII é um nome incontornável na História da Ciência, uma vez que se dedicou com afinco à taxionomia, ou seja à classificação científica das plantas, dos animais e dos minerais.

Embora a actual classificação das espécies em vigor nas ciências natural esteja muito afastada da que hoje é utilizada, está na sua génese. Foi Lineu quem defendeu a coerência e o rigor científico da taxionomia binominal (classificação de acordo com o género e a espécie) cuja estrutura formal ainda hoje é utilizada.

Esta taxionomia tem como fundador Aristóteles que, na antiguidade clássica, foi o fundador da classificação científica.

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