Objectivos: 

  • Interpretar o filme: “inocente ou culpado?”.

  • Reconhecer que a argumentação se aplica aos domínios do provável, do preferível e do verosímil.

  • Compreender que na base da racionalidade argumentativa está a dimensão valorativa da interpretação humana do mundo (os juízos de valor).

  • Problematizar a pena de morte.

Filosofia     Ficha A5

Aulas    11º Ano

Sumário:

Interpretação do filme: “Inocente ou culpado”?

Introdução ao estudo da argumentação.

The Life of David Gale


 

Nesse filme é-nos oferecida uma excelente trama policial e jurídica que, pasme-se pela raridade da situação, envolve um filósofo! O “dito-cujo” (interpretado pelo sempre brilhante Kevin Spacey) é um extraordinário professor de filosofia numa universidade norte-americana, ao que junta uma vida normal pós-moderna de quasi-divorciado, playboy intelectual, etc, etc. Além de ser um “crânio”, o nosso herói tem a propensão para se dedicar a causas “perdidas” ou extemamente difíceis, em especial à luta activa - e activista - contra a pena de morte.

Algures a meio do filme, numa cena (de bebedeira na rua) que retrata um aparente e gradual declínio da saúde mental do nosso filósofo, este faz uma referência à história do julgamento e condenação de Sócrates na Grécia antiga. (Para quem não sabe ou não se lembra, Sócrates foi condenado à morte por se recusar publicamente em aceitar acusações forjadas e usadas contra ele por aqueles que tinham medo da sua postura inquisitiva e denunciadora, entre outras coisas). Esta referência à injustiça latente no julgamento do Sócrates histórico, que chegou até nós na Apologia de Sócrates, escrita pelo seu discípulo Platão, é decisiva para compreendermos o final da história de David Gale. Tal como Sócrates, que preferiu morrer (bebendo a famosa Cicuta) a abdicar das suas convicções, coisa que percebemos lendo o que está escrito no Fédon de Platão, também David Gale, filósofo contemporâneo, prefere morrer a abdicar das suas.

A história de Sócrates e Gale equivalem-se neste sentido: ambos usam a sua inteligência para preferir a morte. Ao morrerem conseguem levar por diante os seus objectivos, fazendo com que, mais cedo ou mais tarde, as suas mortes contribuam para vindicar as suas ideias e derrotar os seus opositores. Assim aconteceu ao que parece com Sócrates que, sem defender qualquer doutrina específica (excepto a de que nada sabia), fundou uma linha filosófica e moral ainda hoje considerada, levando assim de vencida os seus “opositores”. E assim acontece também com Gale no filme, que ao forjar a encenação de um homicídio a partir de um suicídio de uma sua amiga (que sofria de uma doença terminal), consegue provar à sociedade que foi injustamente condenado à morte e, consequentemente, que a sua execução foi uma injustiça.

Mas, afinal, o que é que isto tem a ver com aquilo que eu quero ser quando sou filósofo? Bem, a relação é a seguinte: quando eu sou filósofo não quero agarrar-me às minhas convicções a ponto de estar disposto a dar a minha vida em troca delas. A filosofia evoluiu muito desde o tempo de Sócrates, e Gale devia ter percebido isso. Hoje-em-dia não faz qualquer sentido alguém provocar deliberadamente a sua própria morte para provar o seu ideal (exceptuam-se talvez a situações terminais do tipo retratado na história verídica do filme Mar Adentro ?). Aliás, já Sócrates tinha percebido isso no seu tempo: mas Sócrates era velho e não tinha mais nada a perder, excepto a sua dignidade.

O que eu não quero ser quando sou filósofo é ser Sócrates ou David Gale. Principalmente, não quero ser dogmático ao ponto de me matar para provar o meu ponto. O mundo em que vivemos, mundo esse que desejamos transformar segundo uma certa ideia de Bem, já não se compadece com mártires; pelo contrário, repudia-os - como é o caso evidente dos terroristas suicidas. O mundo em que vivemos, mundo "inventado" pelos Copérnicos, pelos Galileus, pelos Descartes, pelos Kants, pelos Newtons, pelos Darwins, e pelos Einsteins da modernidade, exige uma outra atitude. É essa que quero seguir quando eu sou eu… um filósofo (aprendiz), um investigador com objectivo, mas sem doutrina pré-concebida ou aceite, nem sequer esta.”~

Luís Rodrigues, http://cinefilosofia.com.sapo.pt/artigos/conteudo/DavidGale.htm

Actividades:

  1 – Concorda com a estratégia seguida por David Gale para defender a abolição da pena de morte? Justifique a sua resposta tendo em conta a eficácia (ou não-eficácia) persuasiva dessa estratégia.

   2 – Faça uma lista, o mais exaustiva possível, de argumentos a favor e contra a pena de morte.

Depois: a) Escolha os 3 argumentos mais fortes em defesa de cada uma das teses.

b) Qual das teses lhe parece a melhor? Justifique a sua resposta com base nos argumentos que sustentam essa tese.

SECÇÕES

 

 

 

Apresentação:

"A importância da argumentação."

Ficheiro PPS

Ficheiro PDF

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