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Texto
1
Dois falsos dilemas
morais
"Há
algum tempo, a minha mulher ajudou um turista suiço em Ipanema,
que se dizia vítima de ladrões. Num sotaque carregado, falando
péssimo portugues, afirmou estar sem passaporte, dinheiro, lugar
para dormir.
A minha
mulher pagou-lhe um almoço, deu-lhe a quantia necessária para
que pudesse passar uma noite no hotel enquanto contactava a sua
embaixada, e foi embora. Dias depois, um jornal carioca
noticiava que o tal “turista suiço” era na verdade mais um
criativo malandro, fingindo um sotaque inexistente, abusando da
boa-fé de pessoas que amam o Rio de Janeiro, e desejam desfazer
a imagem negativa – justa ou injusta – que se tornou o nosso
cartão postal.
Ao ler a
notícia, a minha mulher fez apenas um comentário: “não é isso
que me irá impedir de ajudar alguém.”
O seu
comentário fez-me lembrar a história do sábio que, certa tarde,
chegou à cidade de Akbar. As pessoas
não deram muita importância à sua presença, e os seus
ensinamentos não conseguiram interessar a população. Depois de
algum tempo, ele tornou-se motivo de riso e ironia dos
habitantes da cidade.
Um dia,
enquanto passeava pela rua principal de Akbar, um grupo de
homens e mulheres começou a insultá-lo. Ao invés de fingir que
ignorava o que acontecia, o sábio foi até eles, e abençoou-os.
Um dos
homens comentou:
- Será
que, além de tudo, estamos diante de um homem surdo? Gritamos
coisas horríveis, e você responde-nos com belas palavras!
- Cada
um de nós só pode oferecer o que tem – foi a resposta do sábio."
Paulo Coelho
Texto
2
Não esqueça os maus
“A
seguinte oração foi encontrada entre os pertences pessoais de
um judeu, morto num campo de concentração:
"Senhor:
quando vieres na Tua glória, não te lembres apenas dos homens de
boa vontade; lembra-Te também dos homens de má vontade.
"E,
no dia do Julgamento, não Te lembres apenas das crueldades,
sevícias, e violências que eles praticaram: lembra-Te também
dos frutos que produzimos por causa do que eles nos
fizeram. Lembra-Te da paciência, da coragem, da
confraternização, da humildade, da grandeza de alma e da
fidelidade, que os nossos carrascos acabaram por despertar nas
nossas almas.
"Permite
então, Senhor, que os frutos por nós produzidos possam servir
para salvar as almas os homens de má vontade."
Paulo Coelho
Actividades:
1.
Comente a atitude da mulher da primeira história. A sua atitude
é prudente? Justifique a sua resposta.
1.1.
Podemos considerar que ela foi prejudicada pelo burlão?
Justifique a sua resposta.
2. A
resposta do sábio aos insultos é aceitável? Justifique a sua
resposta, tendo em consideração se uma resposta diferente não
teria sido preferível.
3.
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