Filosofia   Ficha 15A

F i c h a s 10º Ano

Os fundamentos do agir moral

A Consciência Moral


 

“A inteligência tem de estabelecer condições à voz do desejo. Tem de determinar quando, como e em que medida deve ser atendida; tem que conjugar a voz dos bens e dos deveres. Mas há muitos bens que desejamos e muitos deveres a cumprir, e nós somos limitados, nas nossas forças, no nosso tempo, etc. Por isso é necessário pôr medida e fixar uma ordem de prioridades.

Em primeiro lugar é necessária medida. Muitos bens só são bens quando queridos com medida (podem "fazer mal" em excesso, ser absorventes e consumir energias necessárias para outras coisas, etc.).

Em segundo lugar, é necessária uma ordem nas prioridades, porque não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. Às vezes os bens e os deveres aparecem em conflito. É preciso parar um momento e conjugar os diferentes bens e deveres em jogo.

É algo que fazemos espontaneamente. A esta avaliação moral que fazemos quase sem dar conta, chama-se "voz da consciência", isto é: a capacidade natural de perceber em cada caso concreto qual o dever e qual o bem a que é necessário atender em primeiro lugar. A consciência avalia a prioridade e a medida oportunas.

A consciência actua como um dar-se conta do que devemos fazer. Não é a decisão de como devemos agir: a decisão vem depois e consiste em seguir ou não o juízo da consciência. A consciência não é a decisão da vontade, mas o perceber com a inteligência. E não julga o que é que mais gostamos, mas o que devemos fazer. Por isso se chama a voz da consciência, como querendo indicar que é algo que ouvimos, que nos é comunicado, que não somos nós que inventamos, mas que deriva da própria situação.

É o acto mais próprio e interior do homem.

O juízo da consciência é pronunciado antes de agirmos, mas repete-se também depois, quando podemos avaliar se seguimos ou não a voz da consciência.

Quando se actua contra a consciência, ataca-se a parte mais íntima e delicada do homem: esse delicado sistema que nos torna livres. Deixa um rastro de mal-estar, a que chamamos "remorso". Se nos acostumamos a agir contra a consciência, esta deteriora-se: perdemos a luz que nos permite ser livres, ficando à mercê das forças irracionais dos instintos ou da pressão exterior.

A consciência moral é uma função natural e espontânea da inteligência. Quando se começa a conhecer o mundo com a inteligência, começa-se a perceber os deveres e começam as avaliações sobre o modo de agir. Costuma-se considerar que a responsabilidade começa com o uso da razão (pelos sete anos).

A consciência moral é delicadamente pessoal: cada qual deve descobrir pessoalmente o modo correcto de agir em cada momento.

Não se deve obrigar ninguém a agir de modo contrário à sua consciência. Mas isso não quer dizer que todas as decisões tomadas em consciência sejam correctas, ou que todas as opiniões tenham o mesmo valor. Mesmo com muito boa vontade, todos podemos errar, por falta de conhecimentos, ou por não querermos equacionar bem as coisas. De fora, podem ver com mais objectividade e explicar-nos onde erramos. O que não podem é obrigar-nos a vê-lo. Deve respeitar-se a liberdade das consciências, isto é respeitar o processo pelo qual cada um chega a ver o que deve fazer.”


 

http://artedeviver.no.sapo.pt/juizodaconsciencia.htm (Texto adaptado)


 

Actividades:

          1. A partir do texto, explique a forma como a consciência moral intervém nas nossas acções, tendo em atenção aos momentos em que se dá essa intervenção.

          2. Explique a ligação da consciência moral com os seguintes conceitos: Liberdade; Responsabilidade e Autonomia.

          3. Comente a seguinte afirmação do texto: “A consciência moral é delicadamente pessoal: cada qual deve descobrir pessoalmente o modo correcto de agir em cada momento.”

 

SECÇÕES

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