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A ética
utilitarista
“O
utilitarismo é o tipo mais bem conhecido de
teoria ética consequencialista. O seu mais
famoso defensor foi John Stuart Mill
(1806-1873). 0 utilitarismo baseia-se no
pressuposto de que o objectivo último de toda a
actividade humana é (num certo sentido) a
felicidade. Esta perspectiva é conhecida como
hedonismo.
Um
utilitarista define o "bem" como "seja o que for
que trouxer a maior felicidade global". Isto é,
por vezes, conhecido como o princípio da maior
felicidade ou princípio da utilidade. Para um
utilitarista, a boa acção pode ser calculada, em
quaisquer circunstâncias, examinando as
consequências prováveis dos vários cursos
possíveis de acção. A boa acção é a que tiver
mais probabilidades de trazer a maior
felicidade nas circunstâncias, examinando as
consequências prováveis dos vários cursos
possíveis de acção. A boa acção é a que tiver
mais probabilidades de trazer a maior felicidade
nas circunstâncias em causa (ou, pelo menos,
mais felicidade do que infelicidade), seja ela
qual for.
O
utilitarismo tem de lidar com consequências
prováveis, porque habitualmente é extremamente
difícil, se não mesmo impossível, prever os
resultados possíveis de uma acção específica:
por exemplo, insultar pessoas provoca
habitualmente infelicidade, mas a pessoa que
estamos a insultar pode ser um masoquista que
tem imenso prazer em ser insultado.”
Nigel
Warburton, Elementos Básicos da Filosofia,Edições
Gradiva, Lisboa, 1997, pp. 80-81
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Justifique por que é que se considera a
ética utilitarista como uma ética
consequencialista.
A moral utilitarista: da felicidade individual à
geral.
“Tenho de
voltar a repetir que os adversários do
utilitarismo raramente fizeram a justiça de
reconhecer: a felicidade que os utilitaristas
adoptaram como critério de moralidade da conduta
não é a felicidade pessoal do agente, mas a de
todos os envolvidos na acção e nas suas
consequências.
Assim, entre
a felicidade pessoal e a felicidade dos outros,
o utilitarismo exige do indivíduo que seja tão
rigoroso e imparcial como um espectador
desinteressado e de boa fé. [...] Fazer o que
desejaríamos que nos fizessem, amar e respeitar
o próximo como a nós mesmos; é isto que
constitui a perfeição ideal da moral
utilitarista. [...] Cabe à moral dizer quais são
os nossos deveres ou qual é o critério que nos
permite reconhecê-los; mas nenhum sistema moral
exige que o único motivo de todos os nossos
actos seja o sentimento do dever. Pelo
contrário, noventa e nove por cento dos nossos
actos realizam-se por outros motivos e, no
entanto, são actos morais desde que a regra do
dever não os condene.
Aquele que
salva um semelhante de morrer afogado pratica
uma acção moralmente boa, quer o motivo da acção
seja o dever quer seja a esperança de receber um
pagamento.
Aquele que
trai um amigo que depositou nele a sua confiança
realiza um acto moralmente incorrecto, mesmo que
a sua intenção seja a de ajudar um outro amigo a
quem deve mais obrigações do que ao primeiro.”
J. Stuart
Mill, O Utilitarismo, Gallimard, Paris
2. O texto
critica o “critério do dever” como único
critério da acção moral.
2.1.Quais os
argumentos que o autor apresenta para
fundamentar esta crítica?
2.2.Retire
do texto a regra que impede que o utilitarismo
se torne numa doutrina egoísta.
A moral e a felicidade
“A escola
que aceita como fundamento da moral o princípio
da utilidade ou da maior felicidade possível
estipula que as acções são moralmente boas na
medida em que tendem a promover a felicidade, e
moralmente más na medida em que tendem a
promover o contrário da felicidade. Por
'felicidade" entendemos o prazer e a ausência
de dor; por "infelicidade", a dor e a privação
de prazer. Teremos contudo de aprofundar muito
mais de maneira a dar uma visão mais clara do
critério moral assim estipulado pela teoria.
Teremos, em particular, de especificar o que se
inclui nas ideias de dor e de prazer, e em que
medida essa lista permanece uma questão em
aberto. Essas explicações suplementares não vão,
contudo, afectar a teoria da vida na qual se
baseia esta teoria da moralidade - a saber, que
o prazer e a ausência de dor são as únicas
coisas desejáveis como fins e que todas as
coisas desejáveis (tão numerosas no sistema
utilitário como em qualquer outro) o são por
causa do prazer que lhes está inerente ou por
serem meios para a promoção do prazer e a
prevenção da dor.
Ora, uma tal
teoria de vida suscita, junto de numerosos
espíritos - dos quais alguns dos mais
estimáveis, pelo sentimento ou pela intenção -,
uma aversão inveterada. Supor que não há fim
mais nobre para a vida que o prazer, que não
possamos desejar ou procurar nada de melhor nem
de mais nobre - para retomar as suas expressões
- é, na sua opinião, profundamente desprezível
e vil, uma doutrina digna apenas dos porcos aos
quais os discípulos de Epicuro foram comparados
com desdém na Antiguidade; também os defensores
modernos da doutrina são o objecto de
comparações igualmente pouco lisonjeadoras por
parte dos seus adversários alemães, franceses ou
ingleses.”
Stuart Mill,
O Utilitarismo, Ensaio Sobre Bentham.
3. Sublinhe
as ideias centrais do texto e enuncie a crítica
que alguns autores fazem ao utilitarismo moral.
4. Considera
legítimo que "o critério da maior felicidade
possível" se apresente como o único critério
para julgar a legitimidade das acções?
Justifique.
Os requisitos morais e intelectuais da
felicidade
“Quando as
pessoas medianamente afortunadas em bens
materiais não encontram na vida a satisfação
necessária para que a considerem vailosa, a
causa está geralmente em se preocuparem apenas
com elas mesmas.
Depois do
egoísmo, a principal causa da insatisfação pela
vida é a falta de cultura intelectual.
Uma
inteligência cultivada, não me refiro à do
filósofo, mas à de qualquer um em que estejam
abertas as fontes do conhecimento e que tenha
sido ensinado, num grau razoável, a exercer as
suas faculdades, encontra fontes de inesgotável
interesse em tudo o que o rodeia: nos objectos
da Natureza, nas obras de arte, nas criações
poéticas, nos sucessos da história, nos costumes
antigos e actuais da humanidade, nas suas
perspectivas futuras”.
Stuart Mill
3. Qual o
papel da educação na conciliação do interesse
individual com o interesse geral da
sociedade? |