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O legislador
grego Clístenes instaurou institucionalmente a democracia em
Atenas, há 2.511 anos. Os cidadãos - adultos masculinos nascidos
em Atenas - passaram a decidir os destinos da pólis na
ágora, a praça pública.
Era a chamada
democracia directa. Demokratia: os cidadãos
(demos) detinham o poder político (kratos) do Estado. No seu
famoso discurso fúnebre, o Epitáfio, Péricles a definiu: "o
regime ateniense chama-se democracia, pois o governo do Estado
não está nas mãos de poucos, mas de muitos".
Hoje, uma das
definições de democracia mais usadas diz que "é a forma de
governo baseada na soberania popular e na distribuição
equitativa do poder".
Em 25
séculos, desde que foi criada, a democracia floresceu, nos seus
primeiros tempos, entre os gregos e, nos dois últimos séculos,
sobretudo na Europa e na América do Norte.
Entretanto,
nos nossos dias, um exame panorâmico pode facilmente revelar que
apenas 1/5 dos mais de 6 biliões de habitantes da Terra vive em
países que podem ser considerados democráticos, os quais somam
apenas 80 dos cerca de 200 Estados-Nações.
Mas, mesmo
com essa realidade numérica, podemos dizer que tal regime é,
hoje, mais popular entre os povos do mundo do que jamais o foi
no passado. Isso porque o consideramos como o melhor dos regimes
políticos.
[…]Outra
constatação que facilmente se pode fazer é o que chamaríamos de
"democracia de mão única", em que as pessoas esperam, cobram e
criticam medidas e soluções, mas não fazem a sua parte. É aí que
entra a responsabilidade de cada cidadão. Devemos esforçar-nos
para fortalecer e aprimorar a democracia.
A prática
democrática é importante, mas é fundamental que seja precedida e
acompanhada da educação para a democracia, algo bem mais
importante e profundo do que a instrução cívica ou de política
geral.
A educação
para a democracia nunca se fará por imposição, como doutrina
oficial ou nacional, mas como uma oportunidade primeira de
prática da liberdade individual.
A educação
para a democracia requer basicamente: formação intelectual,
informação, educação moral e consciência ética, e educação do
comportamento.
O moderno
cidadão do mundo precisa aprender a fazer escolhas
conscientemente para tomar decisões, libertando-se da propaganda
dominadora e do marketing impositivo. Isso requer formação
intelectual e uma cultura mais evoluída.
Educação
moral e consciência ética requerem razão e sentimentos e,
portanto, estratégias especiais adquiridas através da educação
para a democracia. A moral e a ética que se ensinam precisam de
ser as que realmente se praticam.
Quanto ao
comportamento, é importante que os cidadãos cultivem hábitos de
tolerância, de cooperação e solidariedade, respeito ao bem
público, aos direitos humanos e à vontade da maioria, entre
outros comportamentos.
Não pode
haver democracia sem a formação apropriada dos cidadãos para
exercê-la, sem que esses compreendam - mesmo quando estão na
oposição - que são parceiros de um co-empreendimento
governamental.
Há um
processo histórico - que ocorre em sedimentações sucessivas - a
ser vivido com a participação de cada cidadão por toda a sua
vida.
Como uma
fruta que, para chegar ao seu melhor sabor, precisa de
amadurecer, a democracia também precisa de tempo para
amadurecimento. E esse só pode ser acelerado pela educação para
a democracia, que evolui com o processo histórico.
Educadores
que forem formados hoje para a EPD também passarão, certamente,
por um processo transformador que deverá levá-los a aprimorar-se
na dinâmica democrática.
Mas é preciso
que o poder público e a sociedade se organizem e empreguem
esforços especiais em Educação para a Democracia para que a
democracia seja fortalecida e aprimorada, de modo que os seus
momentos altos não se reduzam miseravelmente a apertar botões de
moderníssimas máquinas de votar.
Lauro Morhy
(reitor da Universidade de Brasília)
in:http://www.ufmg.br/boletim/bol1409/segunda.shtml
Actividades:
1 - A partir dos dados apresentados no
texto, defina e caracterize a
democracia.
2 - Em que medida a educação para a
democracia é importante? Responda a questão, indicando 3 medidas
que, na sua opinião, poderiam ser importantes no que respeita à
educação para a democracia no nosso país.
3 - Comente a seguinte afirmação do texto:
"A moral e a ética que se ensinam precisam de ser as que
realmente se praticam."
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