Filosofia     Ficha 16

F i c h a s 11º Ano

O problema da origem do conhecimento: a solução kantiana (o apriorismo).

As bases do apriorismo Kantiano

(textos de Kant, retirados da Crítica da Razão Pura, Ed. Gulbenkian):

Texto 1 - A origem do conhecimento

“Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência: efectivamente, que outra coisa poderia despertar e pôr em acção a nossa capacidade de conhecer senão os objectos que afectam os sentidos e que, por um lado, originam por si mesmos as representações e, por outro lado, põem em movimento a nossa faculdade intelectual e levam-na a compará-las, ligá-las ou separá-las, transformando assim a matéria bruta das impressões sensíveis num conhecimento que se denomina experiência? Assim, na ordem do tempo, nenhum conhecimento precede em nós a experiência e é com esta que todo o conhecimento tem o seu início.

Se, porém, todo o conhecimento se inicia com a experiência, isso não prova que todo ele derive da experiência. Pois bem poderia o nosso próprio conhecimento por experiência ser um composto do que recebemos através das impressões sensíveis e daquilo que a nossa própria capacidade de conhecer (apenas posta em acção por impressões sensíveis) produz por si mesma, acréscimo esse que não distinguimos dessa matéria prima, enquanto a nossa atenção não despertar por um longo exercício que nos torne aptos a separá-los.

Há, pois, pelo menos, uma questão que carece de um estudo mais atento e que não se resolve à primeira vista; vem a ser esta: se haverá um conhecimento assim, independente da experiência e de todas as impressões dos sentidos. Denomina-se a priori esse conhecimento e distingue-se do empírico, cuja origem a posteriori, ou seja, na experiência.”

<CRP Introdução, p. 36-37>

 

Texto 2 - A distinção entre conhecimento puro e conhecimento empírico

“Necessitamos agora de um critério pelo qual possamos distinguir seguramente um conhecimento puro de um conhecimento empírico. É verdade que a experiência nos ensina, que algo é constituído desta ou daquela maneira, mas não que não possa sê-lo diferentemente. Em primeiro lugar, se encontrarmos uma proposição que apenas se possa pensar como necessária, estamos em presença de um juízo a priori; <…>.

Em segundo lugar, a experiência não concede nunca aos seus juízos uma universalidade verdadeira e rigorosa, apenas universalidade suposta e comparativa (por indução), de tal modo que, em verdade, antes se deveria dizer: tanto quanto até agora nos foi dado verificar, não se encontra excepções a esta ou aquela regra. Portanto, se um juízo é pensado com rigorosa universalidade, quer dizer, de tal modo que nenhuma excepção se admite como possível, não é derivado da experiência, mas é absolutamente válido a priori.”

<CRP Introdução, p. 37-38>

 

Actividades:

1.      Comente a seguinte afirmação de Kant, tendo em conta a forma como ele resolveu o problema da origem do conhecimento: “Assim, na ordem do tempo, nenhum conhecimento precede em nós a experiência e é com esta que todo o conhecimento tem o seu início.”

2.      O que é que, de acordo com Kant, distingue o conhecimento puro do conhecimento empírico? Justifique a sua resposta com base no texto 2.

3.      Por que razão Kant afirma que a experiência não nos dá uma “universalidade verdadeira e rigorosa”? Justifique a sua resposta.

 

 

SECÇÕES

Fichas 11º Ano

 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

E-book: "Crítica da Razão Pura" em versão online

 

 

 

 

 

 

 

© www.espanto.info