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As bases do apriorismo Kantiano
(textos de
Kant, retirados da Crítica da Razão
Pura, Ed. Gulbenkian):
Texto 1 - A origem do conhecimento
“Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela
experiência: efectivamente, que outra coisa poderia despertar e pôr em
acção a nossa capacidade de conhecer senão os objectos que afectam os
sentidos e que, por um lado, originam por si mesmos as representações e,
por outro lado, põem em movimento a nossa faculdade intelectual e
levam-na a compará-las, ligá-las ou separá-las, transformando assim a
matéria bruta das impressões sensíveis num conhecimento que se denomina
experiência? Assim, na ordem do tempo, nenhum conhecimento
precede em nós a experiência e é com esta que todo o conhecimento tem o
seu início.
Se, porém, todo o conhecimento se inicia com a experiência, isso não
prova que todo ele derive da experiência. Pois bem poderia o
nosso próprio conhecimento por experiência ser um composto do que
recebemos através das impressões sensíveis e daquilo que a nossa própria
capacidade de conhecer (apenas posta em acção por impressões sensíveis)
produz por si mesma, acréscimo esse que não distinguimos dessa matéria
prima, enquanto a nossa atenção não despertar por um longo exercício que
nos torne aptos a separá-los.
Há, pois, pelo menos, uma questão que carece de um estudo mais atento e
que não se resolve à primeira vista; vem a ser esta: se haverá um
conhecimento assim, independente da experiência e de todas as impressões
dos sentidos. Denomina-se a priori esse conhecimento e
distingue-se do empírico, cuja origem a posteriori, ou
seja, na experiência.”
<CRP Introdução, p. 36-37>
Texto 2 - A distinção entre conhecimento puro e conhecimento empírico
“Necessitamos agora de um critério pelo qual possamos distinguir
seguramente um conhecimento puro de um conhecimento empírico. É verdade
que a experiência nos ensina, que algo é constituído desta ou daquela
maneira, mas não que não possa sê-lo diferentemente. Em primeiro
lugar, se encontrarmos uma proposição que apenas se possa pensar
como necessária, estamos em presença de um juízo a priori;
<…>.
Em segundo lugar, a experiência não concede nunca aos seus juízos
uma universalidade verdadeira e rigorosa, apenas
universalidade suposta e comparativa (por indução), de tal modo que,
em verdade, antes se deveria dizer: tanto quanto até agora nos foi dado
verificar, não se encontra excepções a esta ou aquela regra. Portanto,
se um juízo é pensado com rigorosa universalidade, quer dizer, de tal
modo que nenhuma excepção se admite como possível, não é derivado da
experiência, mas é absolutamente válido a priori.”
<CRP Introdução, p. 37-38>
Actividades:
1.
Comente a seguinte afirmação de Kant, tendo em conta a forma como
ele resolveu o problema da origem do conhecimento: “Assim, na ordem
do tempo, nenhum conhecimento precede em nós a experiência e é com esta
que todo o conhecimento tem o seu início.”
2.
O que é que, de acordo com Kant, distingue o conhecimento puro do
conhecimento empírico? Justifique a sua resposta com base no texto 2.
3.
Por que razão Kant afirma que a experiência não nos dá uma
“universalidade verdadeira e rigorosa”? Justifique a sua resposta.
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